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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

SOCIALISMO PETISTA, QUE FIQUE NA TESE APENAS!!

3º CONGRESSO DO PT APROVA TESE SOCIALISTA DE CRESCIMENTO COM DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

(Tese sobre o socialismo aprovada no 3º Congresso do PT, conforme íntegra publicada em O Globo, no dia 31/08/2007)

O 3º Congresso Nacional do PT aprovou na tarde desta sexta-feira a tese sobre o socialismo petista. A tese vencedora foi escrita pela corrente Construindo um Novo Brasil, o ex-Campo Majoritário, tendo como principal articulador o assessor especial da presidência da República, Marco Aurélio Garcia, um dos mentores da tese sobre o socialismo petista. Aprovada por ampla maioria, a tese diz que o PT deve construir uma nova economia, na qual o crescimento econômico seja distribuído entre a população de forma mais racional. Segundo o PT, apesar dos avanços do governo Lula, o partido precisa "retomar a crítica ao capitalismo". Eis a tese que acaba de ser aprovada:
"O PT se formou em fins dos anos setenta e começo dos anos oitenta como resultado da luta dos trabalhadores das cidades e do campo por melhores condições de trabalho e de vida e pelas liberdades de expressão e de organização. No seu enfrentamento com a ditadura militar e com as duras condições de exploração, os trabalhadores tiveram nesse projeto, desde o início, a solidariedade e participação de amplos setores da intelectualidade, de profissionais liberais, de defensores dos Direitos Humanos, de inúmeras comunidades religiosas de base, vastos segmentos da juventude, sobretudo dos estudantes, além de integrantes de novos movimentos sociais que organizavam mulheres, ambientalistas, negros, homossexuais e tantos outros grupos discriminados na sociedade brasileira. Destacado papel coube igualmente a militantes das organizações de esquerda que haviam combatido a ditadura.
"A luta do PT contra a ditadura, pela democratização da sociedade brasileira esteve na origem de nossas convicções anticapitalistas na medida em que a democracia é incompatível com a injustiça e a exclusão social, com a fome, a violência, a guerra e a destruição da natureza. Como já afirmamos em nossa história: "esse compromisso de raiz com a democracia nos fez igualmente anticapitalistas assim como a opção anticapitalista qualificou de modo inequívoco a nossa luta democrática". De outro lado e coerentemente, esse compromisso com a democracia se traduziu em nossa organização interna o que contribuiu para que o PT se tornasse uma experiência inovadora e um patrimônio da cultura política brasileira.
"A construção do Partido dos Trabalhadores, já nos anos oitenta, deu-se em um quadro internacional de crise das alternativas socialistas existentes. A partir da Polônia iniciava-se um movimento de contestação do socialismo burocrático, que se estenderia a todos os países da Europa do Leste, atingindo mais tarde a própria União Soviética. As chamadas "revoluções de veludo" no leste europeu e a posterior dissolução da URSS, não propiciarem uma renovação democrática do socialismo, serviram de base para instauração de um capitalismo selvagem que atacou duramente as conquistas sociais que os trabalhadores haviam anteriormente obtido naqueles países. Por outra parte, as experiências social-democratas européias, desenvolvidas em um período de forte expansão capitalista, abandonavam pouco a pouco o ideário reformista anterior e iniciavam o desmonte do Estado de Bem Estar construído no pós Segunda Guerra Mundial.
"A crise dessas alternativas socialistas foi acompanhada do renascimento do liberalismo econômico. O prefixo "neo" que se acoplou a esse liberalismo requentado, não escondia o caráter conservador e regressivo de suas propostas. O neoliberalismo pregava a desregulamentação de toda a atividade econômica, fazendo do mercado seu elemento central, acompanhado da defesa de um "Estado mínimo". O conceito de globalização servia para negar o Estado nacional. Em nome de um individualismo radical, que substituía o cidadão pelo consumidor, negava-se a luta de classes e estigmatizava-se qualquer conflito social. A partir daí decretava-se o "fim da história", que se transformava em um eterno presente. Suprimia-se qualquer alternativa ao capitalismo. Mais que isso, atingia-se duramente à própria democracia. Negando-se a soberania nacional, tornava-se irrelevante a soberania popular.
"Nos países da periferia do capitalismo - especialmente nos da América Latina - os efeitos dessas teses foram devastadores. As idéias do chamado "Consenso de Washington", que codificavam os princípios neo-liberais para a região, traduziam a hegemonia do capital financeiro sobre as atividades produtivas. O neo-liberalismo buscava uma saída para a crise fiscal dos Estados latino-americanos, que tinha como inquietantes expressões os surtos inflacionários e o endividamento externo. Os fortes ajustes aplicados em nossos países não atingiram sequer seu objetivo principal: resolver os fortes desequilíbrios macroeconômicos que nos afetavam. Além de agravar a situação macroeconômica, essas políticas, que tiveram no FMI um instrumento importante, contribuíram para a desindustrialização e a contra-reforma agrária, aumentando a pobreza e a exclusão social.
"Os efeitos do neoliberalismo no Brasil foram tardios. Na maioria dos países da região eles se fizeram sentir a partir dos anos oitenta. Em nosso país, graças à resistência dos trabalhadores, de vastos setores das classes médias e, inclusive, de segmentos empresariais, a aplicação de políticas neo-liberais foi diferida de praticamente uma década. Apesar da desconstrução nacional e social que produziu, nos anos noventa, seus efeitos foram menores do que em outros países. Os movimentos sociais, apesar de duramente atingidos, não perderam sua capacidade de mobilização e foram decisivos para reverter essa situação a partir de 2002. O PT teve um papel fundamental nessa resistência, junto com outros partidos de esquerda e de centro-esquerda.
"A despeito das transformações pelas quais passou o Brasil nos últimos quatro anos, junto com outros países da América Latina, ainda é clara a hegemonia das idéias neoliberais no país e na região. Vivemos hoje um período de transição, de duração incerta, no qual nos cabe construir uma alternativa pós-neoliberal. A superação do neoliberalismo no plano das idéias, mas, sobretudo, por meio de alternativas concretas, é de fundamental importância para clarificar nosso horizonte pós-capitalista, hoje obscurecido pelos impasses do pensamento e das práticas do socialismo. O século XX nos legou revoluções que não foram capazes de construir uma alternativa socialista democrática. O desafio que temos pela frente neste novo século é o de reconstruir uma alternativa socialista libertária. Para tanto, temos de retomar a crítica ao capitalismo.
"A crise que afeta os mercados financeiros mundiais - de imprevisíveis conseqüências - não pode levar a enganos. Por certo ela demonstra a fragilidade do capitalismo realmente existente. Mas não devemos sucumbir ao catastrofismo que tantas vezes marcou o movimento revolucionário. Da crise não nasce necessariamente a revolução, a transformação progressista da sociedade. Na maioria das vezes o que ocorre são movimentos regressivos, contra-revolucionários.
"Mantendo um diálogo crítico com a social-democracia e com os partidos comunistas, o socialismo petista definiu-se, desde a fundação do partido como um processo de construção teórica e política. Parte importante de nossa crítica ao capitalismo e de nossa reflexão sobre os caminhos e descaminhos socialismos do século XX foi resumida no documento O Socialismo Petista, aprovado no Sétimo Encontro do partido, em 1990. Essa reflexão se enriqueceu no contato que mantivemos com dezenas de partidos e organizações do mundo inteiro, especialmente da América Latina que, como nós, realizávamos um esforço de repensar uma alternativa pós-capitalista. Mas se enriqueceu, sobretudo, com as lutas sociais e as experiências parlamentares e nos governos municipais e estaduais que conquistamos.
"Diferentemente de muitas vertentes hegemônicas no século XX, o socialismo petista não tem uma matriz política ou filosófica única, abrigando ampla pluralidade ideológica no campo da esquerda. Associa a luta contra a exploração econômica ao combate a todas as manifestações de opressão que permeiam as sociedades capitalistas e que - segundo mostrou a experiência histórica - persistiram, e até mesmo se aprofundaram - nas sociedades ditas socialistas. Por ser libertário, o socialismo petista se insurge contra todas as formas de discriminação de gênero, étnica, religiosa e/ou ideológica, em relação aos portadores de deficiência, às opções sexuais, às preferências artísticas, aos jovens e aos velhos, enfim, às diferenças que marcam as sociedades humanas.
"Para o socialismo petista a democracia não é apenas um instrumento de consecução da vontade geral, da soberania popular. Ela é também um fim, um objetivo e um valor permanente de nossa ação política. O socialismo petista é radicalmente democrático por que exige a socialização da política. Isso implica na extensão da democracia a todos e na articulação das liberdades políticas - individuais e coletivas - com os direitos econômicos e sociais.
"O socialismo petista é defensor do irrestrito direito de expressão e de manifestação, pelo acesso aos bens materiais e simbólicos, à cultura e as condições de produção do conhecimento. Alicerça-se sobre a defesa e a ampliação dos Direitos Humanos. Propugna, enfim, o respeito ao Estado democrático de direito e a combinação da democracia representativa com a construção de um espaço público que garanta formas de participação cidadã capazes de garantir o controle do Estado pela sociedade.
"O socialismo petista pressupõe a construção de uma nova economia na qual convivam harmonicamente crescimento com distribuição de renda. Para tanto, é fundamental reabilitar o papel do Estado no planejamento democrático da economia. O socialismo petista deverá aprofundar a questão da coexistência das propriedades estatal, pública não-estatal, privada, cooperativas e formas de economia solidária. No caso brasileiro ganha especial importância o aprofundamento da reforma agrária e a relação a ser estabelecida entre a agricultura familiar e a agricultura de caráter empresarial.
'O socialismo petista deve dar especial atenção às relações de trabalho. A despeito das extraordinárias mudanças na produtividade, alicerçadas em não menos extraordinárias transformações científicas e tecnológicas, a jornada de trabalho se encontra estancada no mundo há muitas décadas. É fundamental reduzi-la. Multiplicam-se os mecanismos de precarização do trabalho que convivem com altas taxas desemprego. A noção de pleno emprego - para alguns "obsoleta" - deve ser plenamente reabilitada. Formas institucionalizadas de controle dos trabalhadores sobre todas as esferas da atividade industrial, agrícola e de serviços, serão fundamentais no combate à alienação do trabalho.
"O socialismo petista deve iluminar a abordagem de temas como aquecimento global, novas matrizes de geração de energia, proteção da biodiversidade e patrimônio genético em relação com o desenvolvimento social e econômico do país.
"O socialismo petista articulará a construção nacional - que na maioria dos países da periferia do capitalismo ainda é um processo inconcluso - com uma perspectiva internacionalista. As relações internacionais devem passar por um radical processo de mudanças. Necessitamos de um mundo multilateral e multipolar, que reduza as assimetrias econômicas e sociais e não esteja submetido à hegemonia de grandes potências. Queremos um mundo democrático, onde a paz seja um compromisso das nações, um mundo sem fome, enfermidades, crianças abandonadas, homens e mulheres desprovidos de perspectivas e de esperança. Lutaremos pela construção de uma solidariedade continental, com ênfase na América do Sul, capaz de alterar a atual correlação de forças internacional.
"Composto de muitos sujeitos, o socialismo petista tem nos trabalhadores sua referência fundamental. Ele é um processo de sucessivas conquistas econômicas, sociais, políticas e culturais que abrem caminho para novas conquistas. É um caminho que se renova e se amplia à medida que o percorremos. Pode contemplar momentos de rupturas, mas se faz também no dia-a-dia. Não descuida do presente mas tem seus olhos postos no futuro. Mas esse futuro não é um porto de chegada ou uma fortaleza a ser conquistada. É antes uma construção histórica. "

Curso ministrado por Olavo de Carvalho, imperdivel para quem tem uns dolares sobrando

1. Apresentação

A filosofia política, tal como inaugurada por Sócrates, Platão e Aristóteles, tem por objetivo iluminar intelectivamente a experiência da ordem (ou desordem) político-social, balizando-a pelas duas outras ordens que, com ela, compõem a estrutura integral da realidade: a ordem cósmica ou divina (do natural ao sobrenatural) e a ordem interior da alma tal como o filósofo a descobre e a realiza em si próprio mediante a participação consciente na sociedade e no cosmos.
Isso é assim porque a filosofia em geral, como demonstrou brilhantemente Eric Voegelin, é ela própria um dos tipos de experiência da ordem existencial que se sucedem no decorrer da História; e esse tipo é definido, precisamente, pela busca da ordem interior da alma como medida de aferição da ordem ou desordem na sociedade e na cultura. Ora, a ordem da alma supõe algum tipo de experiência da ordem cósmica ou divina que a precede e articula. Traduzida nos termos práticos mais imediatamente acessíveis à experiência individual, a ordem divina aparece como um sentido da vida, na acepção que Victor Frankl dava ao termo. O sentido da vida, por sua vez, aparece sob a forma concreta de um dever, de uma missão a cumprir. A luta pelo cumprimento do dever instala na alma uma hierarquia de prioridades que se torna, de um lado, a matriz criadora da personalidade adulta e, de outro lado, o órgão sensitivo com que essa personalidade apreenderá e julgará a ordem ou a desordem na sociedade. Eis o motivo pelo qual Aristóteles acreditava que só o spoudaios, “homem maduro”, o ser humano adulto de personalidade bem desenvolvida, está capacitado para a participação frutífera na vida política, seja na condição de governante, seja na de cidadão – ou mais ainda na de filósofo.
Só assim compreendida a filosofia política tem condições de apreender a raiz do seu objeto na trama real da experiência vivida, em vez de fazer dele uma coisa, um fetiche intelectual, seja sob o nome de “fato social”, de “instituições”, de “leis do desenvolvimento histórico”, de “estruturas”, de “ideologias”, de “regimes políticos” ou de “constantes estatísticas”. Infelizmente, estas últimas alternativas têm ditado o rumo tomado pelas “ciências humanas” desde o século XIX, malgrado periódicos esforços de retorno à realidade da experiência humana, entre os quais eu destacaria os de Max Weber (Economia e Sociedade), Edmund Husserl (A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental), José Ortega y Gasset (O Homem e a Gente), Gilberto Freyre (Sociologia), Julián Marías (A Estrutura Social), Georges Gusdorf (A Origem das Ciências Humanas), Ludwig von Mises (Teoria e História), Eugen Rosenstock-Huessy (Revoluções Européias) e, é claro, os do próprio Eric Voegelin (Ordem e História).
Tudo na política origina-se em ações e decisões humanas que emergem da trama real da experiência e com o tempo se coisificam em “leis”, “instituições”, “estruturas” etc., povoando essa mesma experiência de sombras e fantasmas que a tornam freqüentemente ininteligível. O retorno à inteligibilidade passa pela decomposição analítica desses complexos simbólicos e culmina na elucidação das escolhas que os produziram e dos motivos que, no quadro geral da existência e nas condições particulares do acontecer histórico, determinaram essas escolhas. Só assim a aparente inevitabilidade e “objetividade externa” dos fatores presentes numa dada situação política podem ser devolvidas ao exercício da liberdade humana que as originou, de tal modo que os próprios fatores possam ser modificados mediante novas escolhas igualmente livres e responsáveis. Não faz sentido querer o reino da liberdade na política prática se primeiro não se apreende teoreticamente o papel ativo desempenhado pela própria liberdade na criação dos fatores que a estrangularam.
Despertar no aluno o sentido desse retorno intelectivo à realidade e à liberdade é o propósito deste curso.
Olavo de Carvalho
Richmond, VA, 15 de dezembro de 2007
***
2. Programa do Curso
Colonial Heights,VA,U.S.A.
14 a 26 de abril de 2008
1.Problemas de método nas ciências humanas
2.Os fundamentos da filosofia política em Platão e Aristóteles
3.Natureza e origem da autoridade
4.Ser e poder
5.As castas
6.Direito e Estado
7.Ação histórica e sujeito daHistória
8.O movimento revolucionário
9.As ideologias totalitárias
10.O sistema americano
11.Globalização e revolução – a era do segredo
12.A revolução na América Latina
Valores da viagem expressos em Dólares Americanos - Base duplo – Saída de São Paulo. Consulte para saídas de outras localidades


Data: 14 a 26/04/2008
Horário: 15:00 – 20:00 horas, de segunda a sábado.
Carga Horária: 60 horas
Local: Hilton Garden Inn – Colonial Heights, VA.
Curso: US$ 1,200.00 em 6 prestações.
Hospedagem: de 13/04 a 28/04
US$ 65 / apto double /dia, com café da manhã, taxas inclusas
Sala: US$ 150.00 / dia com coffee-break, snacks e água.
Traslados e transporte durante o curso: US$ 12.00 / pessoa/ dia - Inclui passeio a Washington e Williamsburg
Vagas: 50
Os interessados deverão providenciar o visto americano com bastante antecedência.
A taxa de inscrição de US$ 50 deverá ser paga à vista e será revertida em seguro-viagem. (Em nome de MSB Viagens e Turismo Ltda. CNPJ.: 06 987 391/0001 -66 Unibanco Ag. 0591 C/C 107345-9)
Os valores acima poderão ser pagos em 6 vezes sem juros no cartão de crédito.
Valores sujeitos a alteração sem prévio aviso.
Inscrições:
MSB Viagens e Turismo Ltda
Av. José Cesar de Oliveira, 181 – Cj 909 – CEP 05317 -000 São Paulo
Tel. (11) 3641 6988
http://www.msbturismo.com.br/
http://www.ipd.org.br/

FELIZ 2008!!! E QUE VENHAM AS ELEIÇÕES.

Amigos leitores deste blog,
Neste ano que inicia, e que o cenario eleitoral abre suas cortinas, assistiremos mais um espetaculo de absurdos, politicos, ideologicos, culturais, para não dizer que os candidatos na sua maioria são ignorantes.
Mas este blog, comprometido com informações e cultura politica, historica e filosofica, ainda neste mes iniciará suas postagens com muita informação e criticas do que está acontecendo e irá acontecer neste ano do rato - 2008.
Aguardem as novidades, na segunda quinz. de janeiro poderão iniciar suas leituras.
Abraço
Prof. Marlon Adami

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Asneiras comunistas do Super - Improviso

DINHEIRO - Como o sr. avalia os resultados do leilão de estradas que está acontecendo neste momento?
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA - É fantástico. Isso mostra que o Brasil mudou. Os investidores olham para o Brasil e enxergam um horizonte positivo no longo prazo, com crescimento da economia, risco baixo e estabilidade de preços. O sucesso desse leilão é uma prova inequívoca da confiança que o mundo deposita no futuro do Brasil.
Quando a ministra Dilma Rousseff adiou o leilão e reduziu a margem de lucro das futuras concessionárias, muita gente dizia que não haveria interessados. O que mudou?
No Brasil, existe muito o que eu chamo de plantonistas da derrota. É aquela gente que vive dizendo que nada nunca pode dar certo. Quando nós decidimos reduzir o preço dos pedágios, disseram que não haveria interessados e agora apareceram 30 empresas. O fato é que nós fizemos um processo de concessão muito bem planejado e criterioso. Melhor do que o governo anterior.
O sr. imaginava que as empresas ofereceriam deságios?
Agora, eu vou ter que ligar até para o Requião. Ele criou uma empresa ligada à Copel para entrar no nosso leilão de estradas e não conseguiu dar um preço menor que os espanhóis.
"O papel do empresário é investir. Ficar esperando a reunião do Copom para depois criticar a taxa Selic é ultrapassado"
O sr. pretende privatizar mais?
O que houve foi uma concessão. E, se outras estradas vierem a ser leilodas, isso será feito sempre com critério. nenhum lugar está escrito que o Brasil tem de mandar o minério de ferro bruto para a China em vez de exportar o produto acabado.
"O PAC está deslanchando. Hoje mesmo inaugurei uma obra em Goiás"
O sr. tem sentido dos empresários a disposição de investir mais?
Finalmente, isso está acontecendo. Algum tempo atrás, eu disse que oempresário brasileiro tinha de ter coragem e ousadia para investir. Sabe o que colocaram na primeira página dos jornais? A manchete: "Lula critica empresários." Mas isso mudou. Amanhã, o José Ermírio, da Votorantim, vem aqui. Acho que vai anunciar quatro ou cinco fábricas novas. Até porque está faltando cimento no País. É de investimentos queo Brasil precisa agora. Os empresários não podem esperar bater em 100% de capacidade para fazer uma nova fábrica. Eles têm que fazer isso quando a capacidade está em 80% ou 90%. E o papel do governo é agir com seriedade, com responsabilidade, mas também vender otimismo.
A tendência de ampliação de investimentos ocorre em todos setores?
Ainda não. No Brasil, ainda tem empresário, à frente de grandes entidades, que fica esperando os resultados da reunião do Comitê de Política Monetária para depois criticar a Selic. Essa postura está ultrapassada.
"O Brasil pode crescer mais e eu quero ouvir os empresários. Vou chamar todos no Planalto para saber quais são as sugestões"
O sr. está se referindo ao Paulo Skaf, presidente da Fiesp?
Isso. Mas também é preciso ver quem essas entidades de fato representam. Porque muitos dos grandes empresários brasileiros não estão lá. Estão tratando de ganhar dinheiro nas suas empresas. As entidades empresariais deveriam estar rodando o mundo e fazendo missões comerciais para vender produtos brasileiros.
O sr. mencionou a taxa Selic. Ela continuará caindo com esse pequeno recrudescimento da inflação?
Ela caiu muito no nosso governo, pode cair um pouco menos agora, mas o que importa é que o Brasil tem hoje um novo ambiente de estabilidade. E nós já deixamos claro que jamais vamos ceder no combate à inflação.
Juros menores poderiam ampliar ainda mais a oferta de crédito. Mas isso já está acontecendo. É só olhar para os resultados da indústria automobilística. O que está ocorrendo hoje é uma coisa que eu já imaginava desde os tempos de São Bernardo do Campo. Eu, como sindicalista, dizia aos representantes das montadoras: "No dia em que vocês colocarem uma prestação que caiba no bolso do trabalhador, vão vender como nunca." E agora isso está acontecendo, com prestações que vão até 80 meses.
Pode melhorar mais?
Pode, por exemplo, na indústria de caminhões. Nesse caso, é importante aumentar o prazo de financiamento para os caminhoneiros. Estou fazendo gestões nessa direção. Mas há um problema: o caminhão não pode ser dado em garantia porque é o bem de sustento do trabalhador. Temos de pensar numa alternativa. Com prazo maior, a venda de caminhões também vai bater recordes.
Mas muita gente ainda defende que o Brasil pode crescer mais. Talvez 7% ao ano, aproximando- se de países como Índia e China. O sr. concorda?
O Brasil não tem que ficar se comparando com a China e com a Índia, porque cada país tem suas peculiaridades e seu estágio de desenvolvimento. O importante é não querer dar um passo maior do que a perna. O que está acontecendo hoje no Brasil é um processo seguro de crescimento, que é fruto de muito esforço. Superamos décadas de estagnação.
Não é possível crescer mais?
É o que todos nós queremos. Eu estou convencido de que o Brasil vive hoje um momento muito singular, o que nos oferece uma oportunidade histórica. Por isso, eu quero ouvir os maiores empresários deste país. Já convoquei uma reunião com os 100 maiores marcada para o dia 24 de outubro. Depois, quero me reunir com os 50 maiores médios empresários. Em seguida, com os 50 maiores microempresários. E depois vou fazer reuniões por setores: os maiores da indústria, do agronegócio e assim por diante. Todos podem contribuir com as suas idéias.
No ABC eu já dizia que a prestação do carro tinha de caber no nosso bolso
Algum setor específico está na sua lista de prioridades?
Eu quero conversar com os empresários da área de papel e celulose. O Brasil tem que ser líder mundial nesse mercado por uma razão simples. Nós temos todas vantagens comparativas. Enquanto o nosso pínus e o nosso eucalipto podem ser cortados em 13 anos, na Europa isso acontece em 50 anos.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Freirianismo ou Plagio?

O Método Laubach de alfabetização de adultos foi criado pelo missionário protestante norte-americano Frank Charles Laubach (1884-1970). Desenvolvido por Laubach nas Filipinas, em 1915, subseqüentemente foi utilizado com grande sucesso em toda a Ásia e em várias partes da América Latina, durante quase todo o século XX.
Em 1915, Frank Laubach (foto) fora enviado por uma missão religiosa à ilha de Mindanao, nas Filipinas, então sob o domínio norte-americano, desde o final da guerra EUA/Espanha. A dominação espanhola deixara à população filipina uma herança de analfabetismo total, bem como de ódio aos estrangeiros.
A população moura filipina era analfabeta, exceto os sacerdotes islamitas, que sabiam ler árabe e podiam ler o Alcorão. A língua maranao (falada pelos mouros) nunca fora escrita. Laubach enfrentava, nessa sua missão, um problema duplo: como criar uma língua escrita, e como ensinar essa escrita aos filipinos, para que esses pudessem ler a Bíblia. A existência de 17 dialetos distintos, naquele arquipélago, dificultava ainda mais a tarefa em meta.
Com o auxílio de um educador filipino, Donato Gália, Laubach adaptou o alfabeto inglês ao dialeto mouro. Em seguida adaptou um antigo método de ensino norte-americano, de reconhecimento das palavras escritas por meio de retratos de objetos familiares do dia-a-dia da vida do aluno, para ensinar a leitura da nova língua escrita. A letra inicial do nome do objeto recebia uma ênfase especial, de modo que aluno passava a reconhecê-la em outras situações, passando então a juntar as letras e a formar palavras.
Utilizando essa metodologia, Laubach trabalhou por 30 anos nas Filipinas e em todo o sul da Ásia. Conseguiu alfabetizar 60% da população filipina, utilizando essa mesma metodologia. Nas Filipinas, e em toda a Ásia, um grupo de educadores, comandado pelo próprio Laubach, criou grafias para 225 línguas, até então não escritas. A leitura dessas línguas era lecionada pelo método de aprendizagem acima descrito. Nesse período de tempo, esse mesmo trabalho foi levado do sul da Ásia para a China, Egito, Síria, Turquia, África e até mesmo União Soviética. Maiores detalhes da vida e trabalho de Laubach podem ser lidos na Internet, no site Frank Laubach.
Na América Latina, o método Laubach foi primeiro introduzido no período da 2ª Guerra Mundial, quando o criador do mesmo se viu proibido de retornar à Ásia, por causa da guerra no Pacífico. No Brasil, este foi introduzido pelo próprio Laubach, em 1943, a pedido do governo brasileiro. Naquele ano, esse educador veio ao Brasil a fim de explicar sua metodologia, como já fizera em vários outros países latino-americanos.
Lembro-me bem dessa visita, pois, ainda que fosse muito jovem, cursando o terceiro ano Ginasial, todos nós estudantes sabíamos que o analfabetismo no Brasil ainda beirava a casa dos 76% - o que muito nos envergonhava - e que este era o maior empecilho ao desenvolvimento do país.
A visita de Laubach a Pernambuco causou grande repercussão nos meios estudantis. Ele ministrou inúmeras palestras nas escolas e faculdades – não havia ainda uma universidade em Pernambuco - e conduziu debates no Teatro Santa Isabel. Refiro-me apenas a Pernambuco e ao Recife, pois meus conhecimentos dos eventos naquela época não iam muito além do local onde residia.
Houve também farta distribuição de cartilhas do Método Laubach, em espanhol, pois a versão portuguesa ainda não estava pronta. Nessa época, a revista Seleções do Readers' Digest publicou um artigo sobre Laubach e seu método - muito lido e comentado por todos os brasileiros de então, que, em virtude da guerra, tinham aquela revista como único contato literário com o mundo exterior.
Naquele ano, de 1943, o Sr. Paulo Freire já era diretor do Sesi, de Pernambuco - assim ele afirma em sua autobiografia - encarregado dos programas de educação daquela entidade. No entanto, nessa mesma autobiografia, ele jamais confessa ter tomado conhecimento da visita do educador Laubach a Pernambuco. Ora, ignorar tal visita seria uma impossibilidade, considerando-se o tratamento VIP que fora dado àquele educador norte-americano, pelas autoridades brasileiras, bem como pela imprensa e pelo rádio, não havendo ainda televisão. Concomitante e subitamente, começaram a aparecer em Pernambuco cartilhas semelhantes às de Laubach, porém com teor filosófico totalmente diferente. As de Laubach, de cunho cristão, davam ênfase à cidadania, à paz social, à ética pessoal, ao cristianismo e à existência de Deus. As novas cartilhas, utilizando idêntica metodologia, davam ênfase à luta de classes, à propaganda da teoria marxista, ao ateísmo e a conscientização das massas à sua “condição de oprimidas”. O autor dessas outras cartilhas era o genial Sr. Paulo Freire, diretor do Sesi, que emprestou seu nome à essa “nova metodologia" - da utilização de retratos e palavras na alfabetização de adultos - como se a mesma fosse da sua autoria.
Tais cartilhas foram de imediato adotadas pelo movimento estudantil marxista, para a promulgação da revolução entre as massas analfabetas. A artimanha do Sr. Paulo Freire "pegou", e esse método é hoje chamado Método Paulo Freire, tendo o mesmo sido apadrinhado por toda a esquerda, nacional e internacional, inclusive pela ONU.
No entanto, o método Laubach – o autêntico - fora de início utilizado com grande sucesso em Pernambuco, na alfabetização de 30.000 pessoas da favela chamada "Brasília Teimosa", bem como em outras favelas do Recife, em um programa educacional conduzido pelo Colégio Presbiteriano Agnes Erskine, daquela cidade. Os professores eram todos voluntários. Essa foi a famosa Cruzada ABC, que empolgou muita gente, não apenas nas favelas, mas também na cidade do Recife, e em todo o Estado. Esse esforço educacional é descrito em seus menores detalhes por Jules Spach, no seu recente livro, intitulado, Todos os Caminhos Conduzem ao Lar (2000).
O Método Laubach foi também introduzido em Cuba, em 1960, em uma escola normal em Bágamos. Essa escola pretendia preparar professores para a alfabetização de adultos. No entanto, logo que Fidel Castro assumiu o controle total do poder em Cuba, naquele mesmo ano, todas as escolas foram nacionalizadas, inclusive a escola normal de Bágamos. Seus professores foram acusados de “subversão”, e tiveram de fugir, indo refugiar-se em Costa Rica, onde continuaram seu trabalho, na propagação do Método Laubach, criando então um programa de alfabetização de adultos, chamado Alfalit.
A organização Alfalit foi introduzida no Brasil, e reconhecida pelo governo brasileiro como programa válido de alfabetização de adultos. Encontra-se hoje na maioria dos Estados: Santa Catarina (1994), Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Sergipe, São Paulo, Paraná, Paraíba e Rondônia (1997); Maranhão, Pará, Piauí e Roraima (1998); Pernambuco e Bahia (1999).
A oposição ao Método Laubach ocorreu desde a introdução do mesmo, em Pernambuco, no final da década de 1950. Houve tremenda oposição da esquerda ao mencionado programa da Cruzada ABC, em Pernambuco, especialmente porque o mesmo não conduzia à luta de classes, como ocorria nas cartilhas plagiadas do Sr. Paulo Freire. Mais ainda, dizia-se que o programa ABC estava "cooptando" o povo, comprando seu apoio com comida, e que era apenas mais um programa “ïmperialista”, que tinha em meta unicamente "dominar o povo brasileiro".
Como a fome era muito grande na Brasília Teimosa, os dirigentes da Cruzada ABC, como maneira de atrair um maior número de alunos para o mesmo, se propuseram criar uma espécie de "bolsa-escola" de mantimentos. Era uma cesta básica, doada a todos aqueles que se mantivessem na escola, sem nenhuma falta durante todo o mês. Essa bolsa-escola tornou-se famosa no Recife, e muitos tentavam se candidatar a ela, sem serem analfabetos ou mesmo pertencentes à comunidade da Brasília Teimosa. Bolsa-escola fora algo proposto desde os dias do Império, conforme pode-se conferir no livro de um educador do século XIX, Antônio Almeida, intitulado O Ensino Público, reeditado em 2003 pelo Senado Federal, com uma introdução escrita por este Autor.
No entanto, a idéia da bolsa-escola foi ressuscitada pelo senhor Cristovam Buarque, quando governador de Brasília. Este senhor, que é pernambucano, fora estudante no Recife nos dias da Cruzada ABC, tão atacada pelos seus correligionários de esquerda. Para a esquerda recifense, doar bolsa-escola de mantimentos era equivalente a "cooptar" o povo. Em Brasília, como “idéia genial do Sr. Cristovam Buarque”, esta é hoje abençoada pela UNESCO, espalhada por todo o mundo e não deixa de ser o conceito por trás do programa Fome Zero, do ilustre Presidente Lula.
O sucesso da campanha ABC – que incluía o Método Laubach e a bolsa-escola - foi extraordinário, sendo mais tarde encampado pelo governo militar, sob o nome de MOBRAL. Sua filosofia, no entanto, foi modificada pelos militares: os professores eram pagos e não mais voluntários, e a bolsa-escola de alimentos não mais adotada. Este novo programa, por razões óbvias, não foi tão bem sucedido quanto a antiga Cruzada ABC, que utilizava o Método Laubach.
A maior acusação à Cruzada ABC, que se ouvia da parte da esquerda pernambucana, era que o Método Laubach era "amigo da ignorância" - ou seja, não estava ligado à teoria marxista, falhavam em esclarecer seus detratores - e que conduzia a “um analfabetismo maior”, ou seja, ignorava a promoção da luta de classes, e defendia a harmonia social. Recentemente, foi-me relatado que o auxílio doado pelo MEC a pelo menos um programa de alfabetização no Rio de Janeiro – que utiliza o Método Laubach, em vez do chamado “Método Paulo Freire” - foi cortado, sob a mesma alegação: que o Método Laubach estaria "produzindo o analfabetismo” no Rio de Janeiro. Em face da recusa dos diretores do programa carioca, de modificarem o método utilizado, o auxílio financeiro do MEC foi simplesmente cortado.
Não há dúvida que a luta contra o analfabetismo, em todo o mundo, encontrou seu instrumento mais efetivo no Método Laubach. Ainda que esse método hoje tenha sido encampado sob o nome do Sr. Paulo Freire. Os que assim procederam não apenas mudaram o seu nome, mas também o desvirtuaram, modificando inclusive sua orientação filosófica. Concluindo: o método de alfabetização de adultos, criado por Frank Laubach, em 1915, passou a ser chamado de “Método Paulo Freire”, em terras tupiniquins. De tal maneira foi bem sucedido esse embuste, que hoje será quase que impossível desfazê-lo.

O autor é historiador - David Vieira
BIBLIOGRAFIA
AYRES, Antônio Tadeu. Como tornar o ensino eficaz. Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, 1994. BRINER, Bob. Os métodos de administração de Jesus. Ed. Mundo Cristão, S.P., 1997. CAMPOLO, Anthony. Você pode fazer a diferença. Ed. Mundo Cristão, SP, 1985. GONZALES, Justo e COOK, Eulália. Hombres y Ángeles. Ed. Alfalit, Miami, 1999. GONZALES, Justo. História de un milagro. Ed. Caribe, Miami (s.d.). GONZALES, Luiza Garcia de. Manual para preparação de alfabetizadores voluntários. 3ª ed., Alfalit Brasil, Rio de Janeiro, 1994. GREGORY, John Milton. As sete leis do ensino. 7ª ed., Rio de Janeiro, JUERP, 1994. HENDRICKS, Howard. Ensinando para transformar vidas. Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1999. LAUBACH, Frank C.. Os milhões silenciosos falam. s. l., s.e., s.d. MALDONADO, Maria Cereza. História da vida inteira. Ed. Vozes, 4ª ed., S.P., 1998. SMITH, Josie de. Luiza. Ed. la Estrella, Alajuela, Costa Rica, s.d. SPACH, Jules, Todos os Caminhos Conduzem ao Lar, Recife, PE, 2000.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O INFERNO VERMELHO

O recente congresso do PT, ocorrido em São Paulo, aprovou documento que reafirma o caráter socialista do partido e da luta partidária. Mais ainda: convoca os seus integrantes para a próxima reunião do Foro de São Paulo - do qual é o principal mentor, juntamente com o PC de Fidel Castro -, a ocorrer na cidade de Montevidéu, em 2008. Nela, serão debatidas as propostas para o avanço socialista no continente, prevendo-se transformações radicais nas áreas de saúde, educação, economia, comunicação e as reformas agrária e urbana. (Para quem não sabe, o Foro de São Paulo é uma entidade “socialista”, criada depois da derrocada da URSS, que visa a transformar a América Latina numa vasta e miserável Cuba).
Para se avaliar, no terreno da Educação, o que será ensinado nos colégios e universidades do Brasil (e nos países da América Latina dominados pelos socialistas), basta lançar um olhar sobre “A Nova História Crítica” (Mario Schmidt, Ed. Nova Geração), livro didático comunistizante que o Ministério da Educação do petista Fernando Haddad vem distribuindo aos milhares para o ensino público e privado no País. Nele, objetivando formar nova e massiva geração de esquerdistas fanatizados, genocidas como Mao Tse-tung e assassinos como Guevara e Fidel Castro são vistos como exemplos admiráveis. Já a Princesa Isabel, que proclamou o fim da escravidão, é tida, na coleção, como uma mulher “feia como a peste e estúpida como leguminosa”.
No capítulo das reformas agrária e urbana, cujo mentor principal é o terrorista João Pedro Stedile (fanático cultor da memória de Lampião nas escolas do MST), as “transformações revolucionárias” preconizadas pelo Foro de São Paulo ganharão prazo de urgência para sua efetivação, quem sabe dentro dos próximos cinco anos, ou menos. Nele, segundo se debate, são previstas mais ocupações de terras produtivas pelos integrantes do MST, a serem transformados, pela força, em “fazendeiros do Estado”.
Nos espaços urbanos, por sua vez, como prometia Jango e o fez Castro, que transformou Havana num imenso pardieiro, serão desapropriadas - certamente com pagamento em bônus resgatáveis no dia de São Nunca, se tanto - moradias e apartamentos pertencentes à “burguesia”, incluindo-se as habitações em condomínios e casas de veraneio.
Exagero? Pois basta dar uma olhada nas “Leyes Socialistas para Venezuela”, que fundamentam a reforma constitucional inspirada nas recomendações do Foro de São Paulo, a ser aprovada pela Assembléia Nacional Venezuelana, inteiramente dominada pelo coronel Chávez. Delas, destaco algumas preciosidades sobre as questões da propriedade rural e urbana:
1º) – “Será nacionalizada toda classe de propriedade privada”;
2º) – “Será autorizado à família sem moradia que ocupe as “segundas moradias” dos proprietários (burgueses), começando pelos apartamentos e casas de praia, incluindo aí as situadas nos clubes (condomínios) e nas zonas urbanas”;
3º) – “Será obrigado aos proprietários das moradias principais conviver com famílias adicionais de até 3 membros, reservando-se à família proprietária de até 3 membros um só quarto, sendo de uso comum todos os serviços da habitação”;
4º) – “As propriedades rurais ou fazendas serão exclusivas do Estado, que se arroga o direito de repassá-las aos camponeses, que, por sua vez, não poderão vendê-las ou hipotecá-las”.
A fúria comunistizante não fica por aí. Segundo a projetada Constituição Bolivariana, documento a ser aprovado que regerá o “Socialismo do Século XXI”, o círculo fechado da ditadura vermelha ficará ainda mais estreito. No terreno das comunicações, “o uso do cabo e de outros tipos de comunicação por satélite serão restritas às dependências oficiais e aos estabelecimentos hoteleiros e turísticos”. Já o uso da telefonia celular será “exclusivo dos membros do governo”. E ainda: “Será negado ao nativo qualquer acesso à internet”.
Temendo a reação das Forças Armadas comprometidas com a democracia, a Constituição Bolivariana propõe: “Será criada oficialmente uma Milícia Popular, a qual progressivamente passará a fazer uso de todas as instalações e equipamentos das Forças Armadas da Nação”. Por sua vez, dissolvidas as Forças Armadas nacionais, “será incorporada à Milícia Popular exclusivamente a oficialidade solidária com os ideais da Revolução”. E pontua: “A oficialidade não solidária com a Revolução será dispensada de suas funções sem nenhum tipo de indenização”.
O projeto da reforma constitucional da Venezuela reporta-se ainda a regulamentação de inúmeras atividades, a saber: medicina privada, empresas de seguro, bancos privados, controle do cambio, práticas sociais e religiosas, etc., cerceando, como princípio constitucional, as liberdades do indivíduo e da sociedade. O mais contundente é o que restringe o direito de ir e vir: “A entrega do passaporte para viajar ao exterior estará sujeita a consideração das autoridades competentes”.
Pode-se imaginar que toda essa monstruosidade constitucional acima levantada não passe de peça de ficção divulgada açodadamente para aterrorizar a burguesia continental; e/ou que, se verdadeira, não faça a cabeça dos próprios asseclas de Chávez no Congresso venezuelano. Em todo caso, ficção ou realidade, é bom ficar alerta: na Rússia, no Leste europeu, na China, no Vietnã e no Camboja, na Coréia do Norte, Cuba, em suma, onde o avanço vermelho se consolidou tais aberrações se cumpriram integralmente.
Sem que a população pudesse tugir ou mugir.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

SARKOZY PODERIA CONCORRER EM 2010 CONTRA O PT

Discurso de Nicolas Sarkozy, conservador francês, às vésperas de sua eleição para Presidente da República
A vontade política e a nação podem estar tanto para o melhor quanto para o pior. As pessoas que se mobilizam, as quais se tornam uma força coletiva, são também uma energia capaz de agir para o melhor ou o pior. Admitamos aqui que aja para o melhor. Nós afastaremos o pior ao respeitar nossos compatriotas, ao perseverar em nossas convicções, ao manter a palavra dada. Nós enfrentaremos o pior enquanto aplicarmos a moral na política.
Sim, a moral.
A palavra moral não me assusta.
A moral, desde 1968, não podia mais ser evocada. Era um conceito apagado do vocabulário político. Haviam-nos imposto o relativismo intelectual e ético, a idéia de que tudo é igual, sem qualquer distinção entre bem e mal, verdadeiro e falso, belo e feio. Tentaram fazer-nos crer que o aluno era igual ao mestre; que não era preciso atribuir notas, para não traumatizar os maus estudantes; que não era necessária a classificação. Procuraram nos fazer acreditar que a vítima valia menos que o delinqüente, e que não podia existir nenhuma hierarquia de valores.Haviam proclamado que tudo estava permitido, que se acabava a autoridade, a polidez e o respeito; que já não havia mais nada de grande, de sagrado, de admirável; que não havia mais regra, norma ou qualquer proibição.
Lembrai-vos do slogan de Maio de 68 sobre os muros da Sorbonne: “Viver sem constrangimento e gozar sem limites”.
Assim a herança de 1968 introduziu o cinismo na política, a cultura do lucro a curto prazo, da contestação de todas as represas éticas. A pregação daquele movimento preparou terreno para a primazia do predador sobre o empreendedor, do especulador sobre o trabalhador. Olhai para todos esses políticos que se afirmam herdeiros de Maio de 68, dando-nos lições que jamais aplicam a si próprios. Eles louvam comportamentos e sacrifícios como quem canta “faça o que digo, não o que faço”. Vede como os herdeiros de Maio de 68 abaixaram o nível moral e da política.
Atentai para a esquerda hipócrita, herdeira do Maio de 68, que está na política, nas mídias, na administração, na economia, essa esquerda que saboreia privilégios, essa esquerda que não aprecia a nação, pois não vê mais nada a partilhar, tampouco a República, pois não suporta a igualdade. Essa esquerda que reivindica defender os serviços públicos, mas jamais usa os transportes coletivos; que ama ferozmente a escola pública, mas nela não coloca os próprios filhos; que diz adorar a periferia, mas nela não quer viver. Esquerda que faz grandes discursos sobre interesse geral, mas é prisioneira de clientelismos e corporativismos. Assinam petições quando se expulsa um invasor de propriedade, mas não aceitam que o mesmo se instale em sua casa. Essa certa esquerda é culpada pelo imobilismo do país, e não o são os trabalhadores, os mais pobres, os mais modestos. Estes são suas maiores vítimas!
Escutai a esquerda que, desde Maio de 68, renunciou ao mérito e ao esforço. Cessaram de falar aos trabalhadores, de se preocupar com seu destino, de respeitá-los, posto que rejeitam o valor trabalho, um valor que não mais faz parte de seu universo. Sua ideologia agora é a da repartição, da semana de 35 horas, do assistencialismo.
A crise do trabalho está incluída em uma crise moral pela qual aqueles herdeiros do Maio de 68 portam uma enorme responsabilidade. Eu vou reabilitar o trabalho. Eu vou devolver ao trabalhador a primazia da sociedade.
Olhai como a herança de Maio de 68 debilitou a autoridade do Estado! Vede como os herdeiros daqueles que em gritavam "CRS = SS" [comparação entre as tropas de elite francesas e a milícia política nazista] adotam sistematicamente o partido dos bandidos, dos vândalos e dos contraventores contra a polícia.
Vede como eles reagiram após os incidentes da Gare du Nord. Em lugar de condenar os vândalos e de dar seu apoio às forças da ordem, eles não acharam nada melhor para dizer do que esta frase, que merece ficar nos anais da República: “É inquietante constatar que se aprofunda o fosso entre a polícia e a juventude”.
Como se os vândalos da Gare du Nord representassem toda a juventude francesa. Como se fosse a polícia a que estivesse errada, e não os baderneiros. Como se os vagabundos tivessem quebrado tudo e saqueado as lojas simplesmente para exprimir uma certa revolta contra alguma injustiça. Como se a juventude escusasse tudo. Como se a sociedade fosse sempre culpada, e o delinqüente, sempre inocente.
Ouvi os herdeiros de Maio de 68 que cultivam o remorso, que fazem a apologia do isolacionismo, que denigrem a identidade nacional, ateiam o ódio contra a família, a sociedade, o Estado, a nação e a República. Nesta eleição, trata-se de saber se a herança de Maio de 68 deve ser perpetuada ou se deve ser liquidada de uma vez por todas.
Eu quero virar a página de Maio de 68. Mas não basta dar a impressão de fazer isso. Nós não podemos nos contentar com ostentar grandes princípios, se evitarmos inscrevê-los na realidade. Eu proponho aos franceses romper realmente com o espírito, com o comportamento, com as idéias de Maio de 68. Proponho aos franceses romper em definitivo com o cinismo. Proponho reatar a política e a moral, a autoridade, o trabalho, a nação.
Eu vos proponho reformar, para construir um Estado acima dos corporativismos, dos grupos de interesse e dos velhos domínios feudais. Proponho-vos uma República una e indivisível, contra todos os comunitarismos e segregações. Ao invés de enfatizar sistematicamente os direitos em detrimento dos deveres, os herdeiros de Maio de 68 serão apresentados ao conceito de cidadania. Eu apresentar-vos-ei a liberdade individual, mas um individualismo acompanhado pelo civismo. Uma cidadania feita por direitos e também por deveres. [...]
A ideologia de Maio de 68 estará morta no dia em que a sociedade ousar chamar cada um para o cumprimento do seu dever. Nesse dia ter-se-á completado a grande reforma intelectual e moral de que a França tem mais uma vez necessidade. [...] Porque a França é mais que raças, etnias, território. A França é um ideal indistinguível de suas grandes pessoas, que desde o primeiro instante acreditam na força das idéias, na capacidade de transformar o mundo fazendo o bem à humanidade.
A França deve reafirmar os valores universais, sobre os quais jamais se deve transigir. Devem ser o fundamento de todas as políticas.
Serei o Presidente da liberdade de consciência, contra todos os fascismos.
Serei o Presidente da liberdade de expressão, contra todas as intolerâncias.
Penso que na pátria dos direitos do homem deve-se poder criticar livremente, caricaturar livremente, sem ameaças de morte, sem exposição a violências. A todos os que desejam viver na França tenho a coragem de afirmar que nossa idéia de liberdade não é negociável, mas desejo deixar claro que para nossa República, laicidade é o respeito por todas as religiões, não o desprezo para com elas. Desejo presidir uma França a qual defenda sua liberdade, e também a liberdade ao redor do mundo. Essa é a vocação da França.
Jamais vos direi “Sou eu ou o caos!”. Que democrata seria se exprimisse tamanho desrespeito pelas convicções de todos aqueles que não pensem como eu? Mas àqueles dentre vós que crêem nos valores de tolerância, de liberdade, de humanismo, digo que são os valores sobre os quais foquei meu projeto. São eles que fundamentam meu engajamento político e minha candidatura.
Viva a República!
Viva a França!